Regularizar uma empresa que vende experiências de aventura exige uma formalização da atividade empresarial, a definição correta dos serviços prestados e o cumprimento das exigências de segurança aplicáveis às atividades oferecidas.
Dependendo da operação, também podem ser necessárias licenças e autorizações municipais, ambientais ou específicas para o uso de determinados espaços, equipamentos e veículos.
Neste artigo, trouxemos sete ações que você precisa realizar para regularizar sua empresa no turismo de aventura.
O que são experiências de aventura?
As experiências de aventura são atividades turísticas recreativas ou esportivas que ocorrem em interação com a natureza e que envolvem desafios e riscos controlados.
Por isso, a regularização envolve tanto as obrigações legais para funcionamento da empresa quanto os procedimentos necessários para prestar a atividade com segurança.
Abaixo, listamos algumas das experiências de aventura mais populares no Brasil e explicamos um pouco como elas funcionam e os cuidados necessários para realizá-las:
| Atividade | Como funciona | Principais cuidados de segurança |
| Trilhas | Percursos realizados a pé em ambientes naturais, com diferentes níveis de dificuldade, duração e características do terreno. | Avaliação do percurso e das condições climáticas, orientação dos participantes, equipamentos adequados e planejamento da rota e das emergências. |
| Mergulho | Exploração subaquática realizada com equipamentos próprios e procedimentos de segurança específicos. | Verificação dos equipamentos, avaliação das condições do local, acompanhamento adequado e procedimentos para situações de emergência. |
| Escalada | Ascensão de paredes naturais ou artificiais utilizando técnicas e equipamentos específicos. | Inspeção de cordas e equipamentos, verificação dos pontos de ancoragem, técnicas adequadas e condutores capacitados. |
| Arvorismo | Percurso realizado em estruturas instaladas entre árvores, geralmente com pontes, plataformas e outros obstáculos. | Inspeção das estruturas e equipamentos, uso correto dos sistemas de proteção e orientação dos participantes. |
| Canionismo | Exploração de cânions que pode envolver caminhada, rapel, natação e outros deslocamentos pelo ambiente natural. | Avaliação das condições climáticas e do nível da água, equipamentos adequados, qualificação dos condutores e plano para emergências. |
| Rafting | Descida de rios em botes infláveis, geralmente realizada em trechos com corredeiras. | Avaliação das condições do rio, uso de colete e capacete, equipamentos adequados, condutores capacitados e plano de emergência. |
| Rapel | Descida vertical utilizando cordas, equipamentos de segurança e técnicas específicas. | Inspeção de cordas e equipamentos, verificação das ancoragens, técnicas de descida e supervisão por profissionais capacitados. |
| Tirolesa | Deslocamento por meio de um cabo suspenso, normalmente entre pontos elevados. | Inspeção da estrutura e dos equipamentos, sistemas de proteção adequados e orientação antes da atividade. |
| Cavalgada | Percurso realizado a cavalo, podendo ocorrer em trilhas e outros ambientes naturais. | Avaliação do percurso e dos animais, equipamentos adequados, orientação dos participantes e condução por profissionais preparados. |
Como regularizar sua empresa de turismo de aventura?
Cada atividade de aventura tem características próprias e pode exigir cuidados diferentes. Por isso, antes de iniciar a operação, é importante avaliar a estrutura da empresa de acordo com os serviços que serão oferecidos.
1. Formalize a empresa e defina corretamente a atividade
O primeiro passo é abrir ou adequar a empresa de acordo com os serviços que serão oferecidos. O que você precisa fazer:
- Escolher a natureza jurídica da empresa;
- Obter CNPJ;
- Definir os CNAEs compatíveis com a operação;
- Verificar as exigências da prefeitura e do estado;
- Obter as licenças necessárias para o funcionamento;
- Manter a situação fiscal e cadastral regular.
O enquadramento precisa refletir o que a empresa realmente faz. As empresas que operam as próprias experiências de aventura, por exemplo, podem ter obrigações diferentes de uma agência que apenas comercializa experiências realizadas por terceiros.
2. Cadastro no Cadastur
O Cadastur é o Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos do Ministério do Turismo que possui como objetivo promover a formalização e a legalização de empresas e profissionais do setor.
Ele é obrigatório para:
- Acampamentos Turísticos;
- Agências de Turismo;
- Meios de Hospedagem;
- Organizadoras de Evento;
- Parques Temáticos;
- Transportadoras Turísticas;
- Guias de turismo.
Entre as empresas aptas para realização de cadastro no Cadastur estão aquelas que prestam serviços especializados em segmentos turísticos. O que envolve negócios que realizam atividades econômicas no segmento turismo de aventura.
Nesse contexto, é importante que você verifique em qual categoria a sua empresa se enquadra, pois isso irá depender de quais atividades você, de fato, sua empresa realiza.
Se você deseja saber especificamente o que significa cada categoria citada acima para entender em quais delas a sua empresa se encaixa, é possível verificar essa informação no próprio site do Cadastur clicando AQUI.
3. Estruture a gestão da segurança
Ao vender experiências de aventura a sua operação precisa considerar os riscos envolvidos em cada atividade e estabelecer procedimentos para preveni-los e lidar com eventuais emergências.
A ABNT NBR ISO 21101 — Turismo de aventura — Sistemas de gestão da segurança — Requisitos estabelece requisitos para um sistema de gestão da segurança voltado aos prestadores de serviços de atividades de turismo de aventura.
O que envolve aspectos como:
- Identificação e avaliação dos riscos;
- Definição dos procedimentos operacionais;
- Qualificação e responsabilidades da equipe;
- Seleção, utilização e manutenção dos equipamentos;
- Orientação dos participantes;
- Procedimentos para situações de emergência;
- Registro e análise de ocorrências;
- Revisão dos procedimentos de segurança.
A segurança, portanto, não deve depender apenas da experiência individual de um condutor. Ela precisa estar incorporada aos processos da empresa.
4. Verifique a qualificação dos condutores
A equipe responsável por conduzir as atividades precisa ter capacitação compatível com a modalidade, o nível de dificuldade e as condições da operação.
A empresa deve definir quais competências são necessárias para cada atividade e manter registros de treinamentos e qualificações.
Também é importante diferenciar o condutor de uma atividade de aventura do Guia de Turismo. Quando a operação envolver atividades próprias da profissão de Guia de Turismo, devem ser observadas as regras específicas da categoria, incluindo o cadastro profissional no Cadastur.
5. Regularize equipamentos, espaços e operação
A regularização também precisa considerar onde e como as atividades serão realizadas.
Dependendo da experiência oferecida, podem existir exigências relacionadas a:
- Uso de áreas públicas ou privadas;
- Autorizações para utilização de propriedades;
- Questões ambientais;
- Segurança contra incêndio;
- Instalações físicas;
- Veículos e embarcações;
- Manutenção e inspeção de equipamentos;
- Sinalização;
- Primeiros socorros e atendimento a emergências.
Não existe uma lista única de licenças para todas as empresas de turismo de aventura. Uma operação de rafting pode estar sujeita a exigências diferentes de uma empresa que oferece trilhas, rapel ou escalada.
Por isso, além das obrigações federais, é necessário consultar os órgãos responsáveis no município e no estado onde a atividade será realizada.
6. Documente os procedimentos de cada atividade
Os procedimentos de segurança precisam sair do papel e fazer parte da rotina da empresa.
Para cada atividade, é importante definir informações como:
Riscos: quais situações podem comprometer a segurança?
Condições de operação: em quais condições climáticas, ambientais ou técnicas a atividade pode ser realizada?
Equipamentos: quais são necessários e como devem ser utilizados, inspecionados e mantidos?
Equipe: quais profissionais podem conduzir a atividade e quais competências são necessárias?
Participantes: quais informações e orientações precisam ser apresentadas antes da experiência?
Emergências: quais procedimentos devem ser adotados em caso de acidente ou mudança das condições da atividade?
Essa documentação ajuda a transformar a segurança em um processo operacional, e não apenas em uma orientação transmitida informalmente pela equipe.
7. Oriente o cliente antes da atividade
Antes da experiência, o participante precisa receber informações compatíveis com a atividade que contratou.
Entre elas estão nível de dificuldade, duração, condições necessárias para participação, equipamentos utilizados, recomendações de segurança e possíveis restrições.
A comunicação é especialmente importante no turismo de aventura porque o cliente precisa compreender as características da atividade antes de participar dela.
A ABNT NBR ISO 21103, por exemplo, trata das informações que devem ser fornecidas aos participantes de atividades de turismo de aventura.
Checklist para regularizar uma empresa de turismo de aventura
Antes de começar a vender as atividades, confira se a empresa já:
- Possui CNPJ e enquadramento empresarial adequado;
- Possui CNAEs compatíveis com as atividades realizadas;
- Verificou as licenças e autorizações municipais e estaduais aplicáveis;
- Verificou se o Cadastur é obrigatório ou opcional para suas atividades;
- Estruturou procedimentos de segurança;
- Avaliou os riscos de cada atividade;
- Definiu os requisitos de qualificação dos condutores;
- Estabeleceu procedimentos para uso e manutenção dos equipamentos;
- Possui procedimentos para situações de emergência;
- Fornece informações adequadas aos participantes;
- Mantém os documentos, licenças e treinamentos atualizados.
Crescimento do turismo de aventura
O turismo de aventura vem ganhando espaço no mercado brasileiro e já aparece entre as modalidades de viagem com maior interesse.
Um levantamento do Paytour divulgado em 2025 identificou crescimento de 47% nas vendas de turismo de aventura.
As principais experiências de aventura vendidas foram trilhas com visitas a cachoeiras, ocupando 58,1% das vendas, e mergulhos recreativos, que representaram 35,4% das atividades realizadas.
Isso aponta para uma crescente oportunidade para empresas que trabalham com atividades de natureza, esportes e experiências ao ar livre.
A importância de oferecer Seguro Aventura
O seguro é outra medida que pode fazer parte da estrutura de segurança de uma empresa que trabalha com turismo de aventura. Ele oferece uma proteção adicional diante de acidentes e outros imprevistos relacionados às atividades realizadas pelos clientes.
A contratação não substitui os procedimentos de segurança, a qualificação da equipe ou a manutenção dos equipamentos. O seguro deve ser entendido como uma camada adicional de proteção, integrada à gestão de riscos da operação.
No Paytour, é possível integrar o Seguro Aventura da ROCA ao processo de reserva, em que os dados necessários para o seguro podem ser preenchidos durante a compra do passeio.